O desejo chegou assim, devagarzinho, e de repente, quase sem querer, eu estava pensando em você. Ah, e como eu queria ter umas lembranças suas, nossas, agora, além das duas ou três palavras que trocamos. Ao menos teve o aperto de mão. Ah, o aperto de mão. Uma coisa assim antiga, seus lábios um segundo ou dois no dorso da minha mão.
São tão poucas lembranças, e tanto tempo livre pra lembrar...
E agora me ocorre se você por acaso terá pensado em mim, e que impressão terá tido. Um medo sobe da boca do estômago e me deixa sem ar. Por que meus cabelos não estavam assim tão arrumados, eu não estava assim elegante... E se eu tiver dito algo errado? Então terei de começar tudo de novo. Aquele velho jogo de conquista e poder que eu já não suporto mais. E aquela distância tão curta entre mim e você, alguns passos, ou algumas horas, terão de ser alcançadas assim, devagarzinho, como o desejo que me toma sem que eu perceba, até que eu esteja mergulhada nele, procurando uma desculpa pra achar seu telefone e te ligar. Vou me controlando, me arrumando, ansiando por mais lembranças que possamos criar.
E eu já não tenho certeza de que aquele beijo na mão foi para mim, ou para a moça que estivesse lá. E já não tenho tanta certeza se você vai trapacear e achar meu telefone e me ligar dizendo qualquer coisa assim.
E já não tenho tanta certeza.
16/04/2010
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Um comentário:
A dúvida talves seja nossa maior certeza...
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