13/12/2009

Uma mão e uma nota

A música chega suave, e eu só vejo nós dois. Juntos. Colados.
Aos poucos, os violinos vão mudando o ritmo, seus mestres lentamente se excitando, quase não contendo a agonia da música que sai de nós.
A cada suspiro; uma nota mais alta, e às vezes; o vazio. De som e de fúria.
Procuro manter o foco. Inútil. A música é uma mistura de sensações, experiências, lembranças, alegrias e medos. O amor também.
Agora, a música alterna leveza e agressividade. É sussuro e grito. É amor e paixão.
Os músicos, cientes da delicadeza do intrumento que tocam, acariciam as cordas com suavidade, dedilhando e fazendo cocégas. O violino mais agudo, o violoncelo mais grave, mas por gentileza deixa os violinos comandarem.
A música se torna mais e mais rápida, urgente. Mas ainda tem controle. brinca com as notas. brinca conosco. Até não aguentar mais. Até os músicos ficarem em pé tamanha a força e volúpia dos intrumentos. Até esvaziar toda minha mente, e num segundo, chegar ao clímax, a nota mais alta.
Depois?
o Vazio.



Um instante de silêncio, uma queda no abismo. Pra depois, surpreendentemente, recomeçar. Com a mesma suavidade ingênua. Como se cada nota estivesse sendo tocada pela primeira vez. Mas a sensação é boa. Me deixo levar novamente. Até o fim. Até que o cansaço derrube músicos, instrumentos e plateia. Com um sopro de força aplaudo. Eles merecem. Você merece.
Saio do teatro extasiada. E uma sensação de você perto de mim.

3 comentários:

Cafajeste disse...

Adoro quando as coisas se misturam... doce com salgado... preto e branco ... eu e você.

Lindo o texto.

By: Dudu

Ludiana Maia disse...

obrigada!

lindo comentário.

Ronnie Ballack disse...

aew minina, to te seguindo e to comentando ;D
ainda não deu tempo de olhar direitinho seus textos
mais prometo que vou lê e comentar
BJÃO.