Parece-me estupidamente contraditório que meu último refúgio seja também meu maior carrasco. Meu quarto é único lugar que posso chamar de meu, e onde encontro a paz e solidão porque tanto anseio, mas ali estão sepultadas lembranças, dores e pesadelos, que teimam em me assombrar e me consomem a alma.
Um tédio e uma tristeza profunda foram tomando conta de mim aos pouquinhos, e só percebi quando já estava me afogando em solidão. Apesar disso, minhas tentativas de me relacionar com as pessoas de modo geral, sempre foram frustradas. Cansada de inúmeros fracassos, contento-me com milhares de conhecidos e colegas, que estou sempre pronta a ajudar, mas que muitas vezes trato com maus modos, nem sei dizer por que.
Meu maior inimigo é o tempo. Corro o máximo que posso, me refugiando nas esquinas de minutos que consigo enganar em busca da paz que nunca encontro. Hoje, descobri um enorme tesouro, e por isso mesmo imensamente difícil de conquistar. Um lugar onde encontrei paz, silêncio, e solidão.
Dentro do ônibus lotado, ao lado de um bando de gente que nunca vi, e talvez nunca volte a ver, me senti segura. Ali, eu era mais uma na multidão, e todos estavam muito ocupados com seus próprios dramas pra prestar atenção na garota quase invisível que sempre fui. Desci do ônibus e segui meu caminho pelas ruelas sujas da imponente cidade. A cidade que dizem ser bela, e que se você olhar para o alto talvez ela pareça mais limpa, mas no terceiro andar daquele prédio moram umas baratas que dividem o apartamento com uma cinéfila e três porcos. Eu tento desviar da sujeira, e sinto que ali, eu não sou ninguém. Um carro passa sem me dar a vez, e aquela lésbica cruza comigo sem me olhar. Meu último minuto como ninguém. Meu coração encolhe, e me preparo para ser novamente alguém, mas o alguém que me pedirem para ser.
Finjo estar muito ocupada, enquanto as pessoas passam de um lado a outro, com suas expectativas me aguardando no umbral da porta. O vento assobia na minha janela e isso sempre me deixa nervosa. Parece que o vento vai derrubar tudo. Acho que estou vendo muita ficção.
Hoje à noite, tenho que procurar novamente as forças pra sorrir e dizer que está tudo bem, porque meu mundo está desmoronando na minha cabeça, e ninguém pode me ajudar, mesmo que alguém de fato se importasse.
30/10/2010
15/07/2010
Se for pra mudar...
que seja pra parar com os palavrões,
que seja pra ler O livro,
que seja pra pedir aulas sobre O livro,
que seja pra ser sincera,
que seja pra deixar o cabelo crescer,
que seja pra ser responsável,
que seja pra levar a vida à sério,
que seja pra parar de reclamar da vida,
que seja pra ser fiel...
Se for pra mudar, que seja por você.
que seja pra ler O livro,
que seja pra pedir aulas sobre O livro,
que seja pra ser sincera,
que seja pra deixar o cabelo crescer,
que seja pra ser responsável,
que seja pra levar a vida à sério,
que seja pra parar de reclamar da vida,
que seja pra ser fiel...
Se for pra mudar, que seja por você.
08/06/2010
Looks good, but is a sucks
Você brigou comigo, mas eu te queria agora. Minha mente te quer, meu corpo te quer, e eu só tenho a mim mesma, sufocando nesse quarto. A água parece estar mais gelada, mas talvez porque já é de madrugada. E eu nunca tive você, mas sinto saudade.
Já estou cansada de tanta brincadeira, mas eu acho que estou vendo coisas demais aqui, ou estou vendo de menos, ou estou muito bêbada. E isso tudo é um saco.
E que tal se fôssemos sinceros?
E que tal se você olhasse pra mim?
E que tal se nos divertíssemos?
E que tal se fôssemos livres?
Aí você podia ser meu, eu podia ser dele, e ele podia ser de qualquer puta que ele quisesse. Até dela.
E começo a me perguntar porque só escrevo essas profundas idiotices ou idiotices profundas quando estou triste, mas já sei a resposta: é que eu mergulho bem fundo quando estou triste. Cada vez que mergulho encontro outra ferida-poética-não-curada. E escrevo.
E acabei de assistir aquele episódio em que tudo começa a ficar foda bom, até que tudo volta a ficar foda ruim. E isso é um saco. Porque as vezes a gente fica foda bom, pra depois ficar foda ruim, e eu nem estou fazendo nada.
Aí eu me visto, limpo os pés no edredom, e continuo pensando num futuro improvável que envolva você. Mas qualquer futuro parece improvável hoje. E eu sou do tipo de pessoa que sempre espera um foda bom depois de uma tempestade de fodas ruins. E sou do tipo de pessoa que confia que o foda bom vai chegar, mesmo quando demora, mesmo quando o foda ruim quer durar pra sempre. E isso é que é um saco mesmo.
FUCK
Só estou tentando viver a minha vida do jeito mais cinematográfico que eu puder.
Te encontro no foda bom.
16/04/2010
Antes de te Conquistar
O desejo chegou assim, devagarzinho, e de repente, quase sem querer, eu estava pensando em você. Ah, e como eu queria ter umas lembranças suas, nossas, agora, além das duas ou três palavras que trocamos. Ao menos teve o aperto de mão. Ah, o aperto de mão. Uma coisa assim antiga, seus lábios um segundo ou dois no dorso da minha mão.
São tão poucas lembranças, e tanto tempo livre pra lembrar...
E agora me ocorre se você por acaso terá pensado em mim, e que impressão terá tido. Um medo sobe da boca do estômago e me deixa sem ar. Por que meus cabelos não estavam assim tão arrumados, eu não estava assim elegante... E se eu tiver dito algo errado? Então terei de começar tudo de novo. Aquele velho jogo de conquista e poder que eu já não suporto mais. E aquela distância tão curta entre mim e você, alguns passos, ou algumas horas, terão de ser alcançadas assim, devagarzinho, como o desejo que me toma sem que eu perceba, até que eu esteja mergulhada nele, procurando uma desculpa pra achar seu telefone e te ligar. Vou me controlando, me arrumando, ansiando por mais lembranças que possamos criar.
E eu já não tenho certeza de que aquele beijo na mão foi para mim, ou para a moça que estivesse lá. E já não tenho tanta certeza se você vai trapacear e achar meu telefone e me ligar dizendo qualquer coisa assim.
E já não tenho tanta certeza.
São tão poucas lembranças, e tanto tempo livre pra lembrar...
E agora me ocorre se você por acaso terá pensado em mim, e que impressão terá tido. Um medo sobe da boca do estômago e me deixa sem ar. Por que meus cabelos não estavam assim tão arrumados, eu não estava assim elegante... E se eu tiver dito algo errado? Então terei de começar tudo de novo. Aquele velho jogo de conquista e poder que eu já não suporto mais. E aquela distância tão curta entre mim e você, alguns passos, ou algumas horas, terão de ser alcançadas assim, devagarzinho, como o desejo que me toma sem que eu perceba, até que eu esteja mergulhada nele, procurando uma desculpa pra achar seu telefone e te ligar. Vou me controlando, me arrumando, ansiando por mais lembranças que possamos criar.
E eu já não tenho certeza de que aquele beijo na mão foi para mim, ou para a moça que estivesse lá. E já não tenho tanta certeza se você vai trapacear e achar meu telefone e me ligar dizendo qualquer coisa assim.
E já não tenho tanta certeza.
08/04/2010
Transformando Lilly
Eram oito da noite quando Lilly ajoelhou-se aos pés de sua cama para fazer suas orações habituais.
Sempre duravam uma hora. Logo após iniciá-las, seu marido, Tiago, chegou do trabalho e foi direto para a cozinha. Não entrava no quarto porque estava farto de tanta oração. Que Deus o perdoasse, mas Lilly já devia ter rezado suficiente para o resto da vida. Sua, dele, e dos dois filhos. Também não ousava ligar a televisão. Da única vez que tentou, sua esposa começou a orar tão alto que os vizinhos chamaram a polícia.Então, como de costume, sentou-se a mesa para jantar. Em seguida, foi arrumar as crianças para dormir, o que com certeza levaria algum tempo. Filhos na cama, Tiago foi cuidar da louça. Fez o trabalho bem devagar, esperando que a esposa terminasse suas orações sem incomodá-la. Mas olhou o relógio e ficou surpreso: nove e vinte. Lilly rezava até as nove. Guardava os santos, arrumava a cama, e, pontualmente às nove e dez aparecia na cozinha para o interrogatório: já jantou? Estava bom? E no trabalho? As crianças dormiram? Satisfeitas as perguntas, tomava o lugar de Tiago na pia e mandava-o se arrumar para dormir.
Mas dessa vez ela estava atrasada dez minutos. E mesmo que por algum acaso do destino Lilly um dia se atrasasse dois minutos, nunca se atrasaria dez minutos. Tiago deixou a louça quase no fim e foi, pé ante pé até a porta do quarto. Seu queixo quase caiu. Lilly acabara de rezar e estava vendo um filme que ele esquecera no aparelho de DVD. Mas ela ficava sempre apertando o botão “retornar”. Estava fascinada. Nem ao menos notou a presença do marido, que se aproximava lentamente. Na tela, um casal se beijava com carinho, que aos poucos se transformava em paixão e no auge a cena escurecia. Lilly viu essa cena 52 vezes.
Tiago, achando que a esposa estava mudando e que finalmente sua abstinência iria acabar, tentou reproduzir a cena com a esposa. Tentou, porque assim que Lilly percebeu o que estava acontecendo deu um grito, desligou a TV e foi pegar o rosário. Não, o rosário não – pensou Tiago. Mas era tarde. Lilly já começara a resmungar e pedir perdão. A noite ia ser longa.
Tiago refletiu a situação e viu que aquilo não era culpa da esposa. Esse fanatismo, esse medo do pecado, era tudo fruto de uma infância enfiada em igrejas rodeada por mãe e tias. O quanto ele lutava para que as crianças não ficassem assim. Quantas vezes tentou mostrar a Lilly um modo diferente de viver, sem sucesso. Mas ele a amava, e dessa vez tinha um plano. E a primeira parte seria ensinar a Lilly o papel que lhe faltava executar: o de mulher. Sentou-se então ao lado da esposa e começou a rezar junto com ela, que inocentemente esboçou um sorriso e continuou o rosário.
A partir do outro dia, Tiago começou a “esquecer” filmes com cenas picantes no aparelho de DVD. Mas sempre que chegava ajoelhava-se ao lado de Lilly para rezar. Talvez por achar que havia transformado o marido, talvez por ser um a menos por quem interceder, mas Lilly encurtou para quarenta minutos o tempo de oração. E de vinte em vinte segundos a menos, um dia Tiago chegou em casa e a encontrou silenciosa e vazia. Engano. Foi ao quarto e quase infartou: sua mulher vestia uma lingerie branca que combinava perfeitamente com a pele morena. Tiago apaixonou-se novamente pela mulher. Sua mulher. E como era linda. Estava deitada no chão, de olhos fechados. Ele notou que ela não havia rezado, talvez na esperança de que Deus não estivesse lá para vê-la pecar.
Tiago aproximou-se lentamente e deu-lhe um beijo na testa, outro na boca, então Lilly se afastou. Ele achou que ela o estava testando e ia desistir, mas ela o puxou e sussurrou em seu ouvido que queria cuidar dele aquela noite. Beijou-o com carinho, abraçou-o primeiro devagar, depois com força e urgência. Lilly agora percebia o quanto havia sido tola, e cruel com seu marido sempre carinhoso e fiel. Decidida a recompensá-lo, mas ainda com um certo receio, ela, foi tentando lembrar-se de tudo o que vira nos filmes românticos a que assistira. Lentamente o casal foi se descobrindo. Nunca haviam se amado de maneira tão íntima quanto naquele dia. Ficaram surpresos em como se conheciam tão pouco em tantos anos de casados. Essas reflexões, é claro, ocorreram depois, porque no momento, eles só pensavam no prazer que sentiam e que queriam proporcionar ao outro.
No outro dia, a casa estava muito diferente. As crianças perderam a escola pois Lilly não acordou. Tiago chegou atrasado ao trabalho. Mas estava feliz. A primeira parte do plano havia sido um sucesso. Muitas partes ainda estavam pela frente. E a façanha foi um pouco complicada de repetir. Na outra noite Lilly não conseguiu. Precisava de seu terço. E quando o marido pediu que ficasse com ele, ela desabou no choro. Não é pecado, não é pecado – repetia a si mesma. Mas não conseguiu. E Tiago mais uma vez foi paciente. Aos poucos, Lilly foi descobrindo que gostava de amar Tiago. E que esse era um dos motivos para estarem casados. Começou a se porque Deus faria algo tão bom, mas que não pudesse ser aproveitado. E cada vez que via o sorriso de Tiago através da penumbra do quarto, sentia mais segurança.
Logo veio o terceiro filho. Tiago achou que com a gravidez, a festa ia dar uma pausa. Ficou surpreso. Lilly a cada dia queria algo novo, ou tinha uma ideia nova. Ela havia criado um monstro! Até ele estava exausto. Mas sempre ria quando Lilly pulava em cima dele e dizia: “vamos tentar algo novo!” Como amava aquela mulher.
Lilly não deixou de lado sua religião. Apenas descobriu um novo modo de praticá-la. Quando Tiago, depois de muito tempo, lhe contou que ele era responsável por sua mudança, ela apenas agradeceu. E como amava aquele homem.
No fim das contas, tudo estava diferente, mas igual. E Tiago aprendeu uma coisinha: quando chegasse em casa e o terço estivesse na gaveta, era sinal que os lençóis ferveriam.
26/03/2010
Canção de um Coração Esfarrapado
Fui caminhar naquele extenso jardim e acabei chegando ao deserto daquela moça. Topei com ela depois de onze dunas. A moça sorriu-me um sorriso sem vida, que estava embaixo de um par de olhos sem vida, juntos num rosto sem vida. Seus gestos suaves não escondiam a aridez de seu olhar. Ela levantou-se devagar, deixando a cabeça por último, numa estranha coreografia que por um segundo me fez pensar que ela mergulharia na areia.
Foi seguindo em frente e fiz menção de segui-la.
Tive ímpetos de segurá-la no colo, tamanho o desespero e a tristeza gritantes em seu olhar, mas me controlei. Perguntar se ela estava bem seria até desumano. Então continuei seguindo-a em silêncio.
- A sua dor sempre dói do mesmo jeito? - Perguntou-me com uma voz ao mesmo tempo fraca e firme. Uma força construída de sofrimento.
Respondi que não. Que o tempo as fazia doer cada vez menos.
- Mas nunca cura. - Dessa vez não era uma pergunta.
- Não. Nunca.
Então ela começou a cantar sua história numa melodia leve e baixa. E me mostrou seu coração, um trapo sujo e esfarrapado que já não batia, soluçava apenas. Enquanto cantava, lágrimas escorriam por seu rosto, trazendo um arremedo de vida àquela face morta. Mas logo elas cessaram, tão de repente como se o estoque de lágrimas houvesse acabado. Isso foi pior. Pareceu-me que ela ia afogar-se na própria dor, por já não conseguir derramá-las.
Terminou sua canção e levantou a cabeça. Segui seu olhar e me assustei ao perceber que estávamos em frente a minha casa. Olhei nos olhos da garota do deserto. Entreguei-lhe meu coração e pedi-lhe que cuidasse bem dele. Eu sabia que ela o faria.
Ela então virou-se e voltou para suas montanhas de areia.
Foi seguindo em frente e fiz menção de segui-la.
Tive ímpetos de segurá-la no colo, tamanho o desespero e a tristeza gritantes em seu olhar, mas me controlei. Perguntar se ela estava bem seria até desumano. Então continuei seguindo-a em silêncio.
- A sua dor sempre dói do mesmo jeito? - Perguntou-me com uma voz ao mesmo tempo fraca e firme. Uma força construída de sofrimento.
Respondi que não. Que o tempo as fazia doer cada vez menos.
- Mas nunca cura. - Dessa vez não era uma pergunta.
- Não. Nunca.
Então ela começou a cantar sua história numa melodia leve e baixa. E me mostrou seu coração, um trapo sujo e esfarrapado que já não batia, soluçava apenas. Enquanto cantava, lágrimas escorriam por seu rosto, trazendo um arremedo de vida àquela face morta. Mas logo elas cessaram, tão de repente como se o estoque de lágrimas houvesse acabado. Isso foi pior. Pareceu-me que ela ia afogar-se na própria dor, por já não conseguir derramá-las.
Terminou sua canção e levantou a cabeça. Segui seu olhar e me assustei ao perceber que estávamos em frente a minha casa. Olhei nos olhos da garota do deserto. Entreguei-lhe meu coração e pedi-lhe que cuidasse bem dele. Eu sabia que ela o faria.
Ela então virou-se e voltou para suas montanhas de areia.
10/02/2010
Medo do Escuro
A memória falha quando é pra lembrar das horas de dormir da infância. A mais distante é de alguns anos atrás. Mas eu sei que sempre vi coisas assutadoras no escuro. Não no escuro total obviamente. por que assustadoras que via, sei hoje, eram formadas pelas sombras dos objetos de cena (digo, do quarto).
O escuro total, descobri, é relaxante. E o problema sério que todos - (eu disse TODOS) temos, uns mais, outros menos com escuro - deve-se ao fator do desconhecido, isso sim, dá um medão.
Mas enfim, tô enrolando e filosofando muito. O fato é que um dia ele chegou e eu tava dormindo, no escuro. Ele chegou de mansinho (como exatamente ele chegou eu não sei, suponho que tenha sido de mansinho porque eu não acordei, se bem que eu tenho um sono ferrado), enfim, ele chegou e foi me beijando, alisando meu cabelo, e chamando meu nome. Tava tudo muito romântico, e nem estranhei por que tava no limbo, nem acordada nem dormindo. Aí ele foi descendo a mão, e daí eu acordei com o susto de onde ele chegou. Aí eu comecei a estranhar o escuro, não porque eu não goste de escuro, mas porque ele nunca está comigo quando está escuro.
Aí, meus olhos não se acostumaram à luz como era de se esperar, e eu sufoquei. Não sozinha, fui percebendo, mas ele estava com as mãos em volta do meu pescoço, apertando cada vez mais forte, e me deixando tonta.
Mas ele estava duplamente estranho, e nem o alívio de me deixar morrer ele me deu. Afrouxou as mãos e me beijou. Eu ainda tonta nem sei se de sono ou do quase estrangulamento, deixei.
Continuei imóvel enquanto ele aproveitava os privilégios de estar no meu quarto de madrugada. Só depois, percebi que ele não era quem eu pensava. Não era aquele carinha. O cheiro era totalmente diferente. E totalmente mau. Fiquei aliviada por que aquele carinha não havia me decepcionado, e deixei. Deixei, por que no fundo eu sabia que ele não resistiria à tentação de me matar. Era algo surreal. E eu notei que ele era bem dramático pra me deixar viva. Deixei ele curtir o seu show.
No fim, como eu já esperava, com grande alívio suas mãos apertarem meu pescoço novamente, e a consciência fugindo, notei o quase grito que dei, mas foi instintivo e ninguém ia ouvir.
Perdi a consciência e pulei, piscando os olhos para a nova escuridão diante de mim. Não a da morte como eu imaginava, mas a do meu quarto novamente. Recobrei a consciência ofegando, e o coração saltitando no peito. A razão me dizendo que era um sonho.
Li em algum lugar, que os sonhos são uma preparação para a vida. Lembrei disso porque, ao acordar, notei a presença no quarto. Notei o peso no colchão. Notei que uma voz chamava meu nome baixinho e alisava meus cabelos...
O escuro total, descobri, é relaxante. E o problema sério que todos - (eu disse TODOS) temos, uns mais, outros menos com escuro - deve-se ao fator do desconhecido, isso sim, dá um medão.
Mas enfim, tô enrolando e filosofando muito. O fato é que um dia ele chegou e eu tava dormindo, no escuro. Ele chegou de mansinho (como exatamente ele chegou eu não sei, suponho que tenha sido de mansinho porque eu não acordei, se bem que eu tenho um sono ferrado), enfim, ele chegou e foi me beijando, alisando meu cabelo, e chamando meu nome. Tava tudo muito romântico, e nem estranhei por que tava no limbo, nem acordada nem dormindo. Aí ele foi descendo a mão, e daí eu acordei com o susto de onde ele chegou. Aí eu comecei a estranhar o escuro, não porque eu não goste de escuro, mas porque ele nunca está comigo quando está escuro.
Aí, meus olhos não se acostumaram à luz como era de se esperar, e eu sufoquei. Não sozinha, fui percebendo, mas ele estava com as mãos em volta do meu pescoço, apertando cada vez mais forte, e me deixando tonta.
Mas ele estava duplamente estranho, e nem o alívio de me deixar morrer ele me deu. Afrouxou as mãos e me beijou. Eu ainda tonta nem sei se de sono ou do quase estrangulamento, deixei.
Continuei imóvel enquanto ele aproveitava os privilégios de estar no meu quarto de madrugada. Só depois, percebi que ele não era quem eu pensava. Não era aquele carinha. O cheiro era totalmente diferente. E totalmente mau. Fiquei aliviada por que aquele carinha não havia me decepcionado, e deixei. Deixei, por que no fundo eu sabia que ele não resistiria à tentação de me matar. Era algo surreal. E eu notei que ele era bem dramático pra me deixar viva. Deixei ele curtir o seu show.
No fim, como eu já esperava, com grande alívio suas mãos apertarem meu pescoço novamente, e a consciência fugindo, notei o quase grito que dei, mas foi instintivo e ninguém ia ouvir.
Perdi a consciência e pulei, piscando os olhos para a nova escuridão diante de mim. Não a da morte como eu imaginava, mas a do meu quarto novamente. Recobrei a consciência ofegando, e o coração saltitando no peito. A razão me dizendo que era um sonho.
Li em algum lugar, que os sonhos são uma preparação para a vida. Lembrei disso porque, ao acordar, notei a presença no quarto. Notei o peso no colchão. Notei que uma voz chamava meu nome baixinho e alisava meus cabelos...
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